A vida depois do envio dos DCS

Nem preciso dizer que sou a nova carteira da casa. Todo dia eu dou uma olhadinha, e nem sei pra que, sei que não esta na hora ainda, mas como ainda estou de atestado médico, ou seja, inútil em casa, nada melhor que começar uma rotina.

No mais pela primeira vez na vida estou sentindo falta do acesso ao banco pela internet. Isso facilitaria muito no quesito conferir se o BIQ ja debitou a taxa do cartão de crédito.

Fora a crise de ansiedade normal as coisas estão indo bem. Eu e o Dani andamos tendo umas conversinhas bem esclarecedoras, e isso ajudou bastante a decidirmos algumas coisas.

Eu e ele tínhamos em mente que a melhor opção pra nós no início seria Montréal. Isso porque como bom brasileiros que somos temos esta tendência a procurar as cidades maiores para maiores desenvolvimentos pessoais e profissionais. E apesar de ouvir sempre que no Canadá nem sempre é assim, ainda não tinhamos internalizado bem a idéia.

A necessidade de abrir um pouco mais a cabeça veio a partir de uma “inquietação” minha, como se o assunto na verdade não tivesse ainda sido discutido o bastante. Montréal é sim uma cidade maravilhosa, com milhares de opções gastronômicas, culturais e profissionais e com uma aquecida cidade subterrânea. (Confesso que tenho medo do frio.) Mas ainda sim eu senti a necessidade de pensar melhor no que estamos escolhendo.

A idéia então foi listar quais são as nossas prioridades no início da nossa vida em Québec, o que a cidade que iremos morar deve no mínimo oferecer e checar se além de Montreal existiam outras opções.

No nosso caso a cidade que vamos morar deve ter uma universidade com um departamento de geologia, pois para entrar na ordem dos geólogos o Dani tem que cursar, se não me engano duas matérias, pré-requisito de profissão regulamentada. Essa característica ja excluiu a linda Trois-Rivières. Que pena….

O segundo ponto é que seria interessante baixar ao máximo os custos iniciais. Mesmo sabendo que ninguém muda despreparado financeiramente também se sabe que os gastos iniciais não são baixos e eu imagino que deve dar uma certa agonia só ver o dinheiro indo embora. E a lista de gastos não é pequena. Sem garantias pro primeiro aluguel é comum o pagamento de mais de um mês na hora de fechar o contrato. Para iniciar um histórico de crédito com um cartão de crédito tem banco que exige que se deixe a quantia exata do limite do cartão depositada no banco. Nós teremos que pagar taxas de universidade. Mais o vai e vem de transporte público, comida, compra de alguns itens básicos que não vieram do Brasil e por aí vai.

Pensamos também sobre lazer. Começamos a perguntar o que gostaríamos de fazer pra relaxar a cabeça. E isso também está muito vinculado ao que gostamos de fazer aqui no Brasil, não é só pq mudamos de país vamos mudar também de costumes. Esta mudança deve com certeza acontecer, mas vai ser mais gradual. Eu e o Dani adoramos parque e shopping, mas talvez cinema não seja mais um relaxante cerebral, rs. Nós não temos o hábito de sair pra balada forte, mas adoramos restaurantes e livrarias.

Acabamos por concluir que apesar de Montréal ter muito a oferecer, eu e ele podemos nos adaptar bem a um ritmo menos intenso e ter como benefício uma tranquilidade financeira um pouco mais duradoura.

O fator que acabou por direcionar melhor as nossas buscas foi um dos mais importantes (eu acho) a ser considerado. A busca por emprego. Em Montréal eu e o Dani temos contatos que poderiam nos indicar para entrevistas. Mas esses contatos só serão utilizados quando tivermos ja melhor instalados e adaptados ao quebecois. Só que como o Dani ainda tem que estudar o primeiro emprego provavelmente será o meu,  (depois sabe-se lá pra onde vão mandar o Dani ir trabalhar, rs).

Os empregos pra estatísticos em Montréal são na maioria de empresas que prestam consultorias para outras empresas. Elas fazem análise de mercado e análises financeiras. É claro que também existem cargos em bancos, públicos e etc.  Os empregos mais relacionados ao que tenho experiência, banco de dados governamentais, estão, é claro em Ville de Québec. Nas cidades menores existem posto para trabalhar com controle de qualidade ou pesquisas de laboratório.

Acabamos vendo que devemos considerar fortemente Ville de Québec.  O próximo passo é começar a fazer os cálculos e ver se a diferença é realmente significativa. E a nossa viagem de reconhecimento deve por fim nos ajudar a fechar de vez a questão. Afinal, estamos falando apenas do primeiro ano/meses. Surgindo alguma proposta de trabalho interessante sabe-se lá onde vamos parar.

Acho que é isso por agora. Espero conseguir postar nessa semana alguma notícia sobre o nosso processo.

Au revoir!

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Sobre frozenburguers

Estatística e Geólogo procurando seu cantinho em Quebec!
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7 respostas a A vida depois do envio dos DCS

  1. Lídia diz:

    Olá Viviane, tudo bem?! Estou acompanhando seu blog já algum tempo. Também sou formada em estatística, moro em Fortaleza. Ainda não enviei meus documentos e confesso que estou acompanhando seu processo, pra me basear um pouco como será o meu =). Mas, eu não tenho ingles e meu frances ainda é minimo. Você fala ingles? E teu frances como tá?

    Abraços.

    • Oi Lídia,
      ja fez a avaliação on-line do escritório de imigração? Se fez e você tem a pontuação necessária ja é um ótimo começo. O pessoal do BIQ pede que se tenha feito 150h de francês antes de enviar a documentação, e foi o que eu fiz. E como eu não tenho paciência pra esperar curso regular fiz as 150 horas em mais ou menos 4 meses. E sinceramente, valeu muito a pena o investimento. Apesar de aidna ter dificuldade com a conjugação o francês começou a fazer parte do meu dia-a-dia, dado que eu tinha aula todo dia. Então hoje em dia pra mim é mais complicado organizar as minhas idéias pro dia da entrevista do que fala-las em francês. Mas o caminho é longo pra quem quer trabalhar, atender telefone e escrever metodologias em francês, então o estudo tem que ser mesmo constante. Quanto ao inglês eu ja sou formada, mas faz muito tempo que não pratico. Meu noivo, porém, tem o inglês que foi exigido dele pra ler livros na faculdade, e o que estudava na escola até o segundo grau. Mas acabou que ele tb foi obrigado a fazer o curso de inglês intensivo por causa do trabalho… Mas o francês dele é mínimo tb.
      Enfim, cada caso é um caso. Mas se você se dedicar tenho certeza que consegue assegurar pelo menos o francês, e tem hora que ele é muito parecido com o português.
      Dê noticias!

  2. Lídia diz:

    Oii Viviane, muito obrigada pelas suas observações. Eu, como seu esposo, tenho apenas o inglês de colégio e faculdade. Mais vou focar bastante no francês, porque penso em ir para Quebéc mesmo, ou uma cidade menor. Eu andei pesquisando umas vagas para nossa profissão, mais como aqui no Brasil, é difício encontrar no Quebéc também. Você já pensou em enviar seu CV para alguma empresa de lá. Quem sabe com uma proposta válida o processo corra mais rápido não é =). Se você quiser trocar alguma idéia, anota meu e-mail pessoal: lidia_ufc@yahoo.com.br. Pode escrever quando quiser.

    Abraços

  3. Oi Lídia, eu e o Dani também gostaríamos de adotar um ritmo menos frenético de vida, mas so vamos saber mesmo quando estivermos lá. Um site interessante pra buscar informações para emprego de estatísticos é o http://www.association-assq.qc.ca/emplois/
    E por enquanto não estou indo atras de emprego lá em Québec. Estou esperando pra saber se vou conseguir o CSQ, e se sim vou utilizar o tempo pra guardar dinheiro e aprofundar os estudos. Eu tenho bastante pressa pra ir, ando bem ansiosa por qualquer sinal do consulado sobre o meu processo, mas também sei que quanto mais dinheiro e quanto mais conhecimento eu tiver melhor vai ser a adaptação lá. O que me consola quanto ao tempo que ainda tenho que esperar é saber que quando eu for vai demorar muito preu voltar, então vale a pena curtir o que cada momento tem para oferecer.
    Abraços!

    • Lídia diz:

      É Viviane, eu entendo muito bem o rítmo frenético a que você se refere. Comigo e com o Robert (meu esposo) ainda não caiu a ficha, talvez porque não enviamos os docs ainda. Falta nós recebermos o nosso passaporte ainda, mas basta isso acontecer e nós enviamos nossos formulários. E quanto ao tempo que você está aproveitando aqui, está certíssima, temos que nos planejar o máximo, e estudar, estudar e estudar francês.
      Quando enviaram seus docs, vocês traduziram algum documento como diploma por exemplo? Nós já juntamos todas as papeladas, agora temos que começar a preencher todos os formulários =). Viviane, uma dúvida, você me disse que fez as 150 horas de frances, eu estou chegando perto disso, então quando você marcou naquela opção de nível de francês no formulário, qual você colocou? Estou na dúvida quando a isso, pois acaba meio que sendo uma avaliação um pouco pessoal do seu nível…

      Beijos.

      Lídia.

      • Lídia,

        eu coloquei o primeiro nível de francês intermediário. E pra isso eu tive ajuda da minha professora, que ja deu aula pra várias pessoas que participaram da entrevista. Ela achava que eu poderia ter colocado um nível maior, mas eu prefiri errar pra menos do que errar pra mais. Fiquei meio com medo do entrevistador achar que eu tentei forçar a barra. E esse nível de francês já é suficiente pra minha pontuação. De qualquer forma o entrevistador revisa esse item. Pelo o que eu entendi durante a entrevista eles preenchem algum formulário com as suas informações, e durante o preenchimento vão pedindo a documentação original e conversando sobre a organização da mudança. Na parte de avaliação de francês ele coloca a interpretação dele de acordo com a fluência da conversa.
        Quanto a tradução de documentos eu não fiz de nenhum. Na verdade a única coisa traduzida foi o meu currículo e o do Dani. No mais preenchemos o DCS em francês. Eu estou esperando o CSQ pra começar a traduzir. O Dani vai precisar logo de início para iniciar o processo de regulamentação na ordem dos geólogos e eu sei que mais cedo ou mais tarde tb vou acabar precisando. E eu acho que pro processo federal tb tem que traduzri algumas coisas, mas confesso que ainda não li nada a respeito. Ainda to esperando alguma comunicação do consulado.
        Abraços.

  4. Lídia diz:

    Ha viviane, muito obrigada pela dica do link, já está nos meus favoritos. Estou na torcida pra que vocês recebam o CSQ pelo correios =) , mais se isso não acontecer…que vocês tenham uma exelente entrevista e que saiam de lá com o CSQ em mãos.
    Beijos.

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