Sobre a longa espera e sobre uma longa dúvida

Olá amigos, primeiro tenho que pedir desculpa pelo sumiço. Com a chegada da última carta dizendo que o nosso dossiê estava sendo analisado e que seríamos chamados para uma entrevista ficamos um pouco na espera de mais uma carta dizendo que o CSQ seria entregue por correio. Mas o tempo foi passando e a única coisa que o correio trazia pra mim era conta e propaganda.

Neste meio tempo teve o encontro com o pessoal que esta imigrando de Brasília, que foi bem legal, e também fiz a minha viagem de reconhecimento que foi ótima. Apesar de ter várias coisas interessantes acontecendo eu não tive muita vontade de vir e escrever. Mas acho que isso acabou.

Uma coisa que decidi fazer pra diminuir a ansiedade é retirar as cartinhas da minha vista, elas estavam pregadas na parede do meu quarto. O que antes trazia alegria e felicidade pelo início do processo começou a trazer muita ansiedade, pq eu acordava e a primeira coisa que eu via era elas, e aí ja viu né?

A segunda coisa que decidi é que eu tenho que me esforçar pra viver a minha vida como se ela não estivesse tão vinculada a entrevista. Porque eu realmente acho difícil sermos reprovados. O Dani vai fazer um intensivo de francês agora nas férias dele, então é só se organizar direitinho pra entrevista.

Mas (tudo tem um mas) estou ja tem tempo querendo sair do meu emprego, e a cada dia que passa a situação aqui fica pior. E eu meio que tenho que decidir sair por agora, se eu demorar vou ter mais um ano de processos com o meu nome (descobri a pouco que estão usando meu nome sem minha autorização e conhecimento), o que é péssimo. Tem muitas coisas que eu quero fazer, quero estudar pra fazer um mestrado, eu tenho dus idéias de projetos muito bons, só falta coragem. Também quero trabalhar na área privada, e eu só arrumo emprego fora de Brasília.

Disponibilidade de mudar de cidade eu tenho, assim como tenho condições financeiras de sair do trampo e me manter bem por um tempo até as coisas se ajeitarem. Se eu não tivesse no processo de Quebéc eu ja teria saído faz tempo, ja estaria com a minha vida organizada de uma forma totalmente diferente.

Mas eu ficava esperando que os meus chefes mudassem com a mudança do governo, o que não aconteceu, depois fiquei esperando uma convocação pra entrevista em três meses, ou um CSQ, o que não aconteceu. E agora to numa encruzilhada.

Eu sou a requerente principal, tenho muitos anos de trabalho comprovados. Mas como eles vão reagir a um requerente principal desempregado? Mesmo que seja um esquema temporário com um objetivo bem traçado, por escolha minha, essa palavra sempre me soa tão mal. Eu entrei no site pra ver se existia a opção “sans emploi” na avaliação prelimiar, mas não tinha.

Enfim, to rezando pra Deus me ajudar a fazer a escolha certa. Tem hora que eu penso que faço tudo por esse processo, mas também tem hora que eu penso que o que esta acontecendo aqui no meu trabalho é sacanagem demais e que eu tenho que sair pra ontem.

Não sei o que fazer, só sei que seja qual for a decisão as consequencias podem ser bem fortes. Nunca pensei que tirar três meses pra estudar antes de arrumar outro trabalho fosse tão pesado.  O que fazer???

 

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Sobre frozenburguers

Estatística e Geólogo procurando seu cantinho em Quebec!
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6 respostas a Sobre a longa espera e sobre uma longa dúvida

  1. Se eu te disse que estou num dilema semelhante, você acredita?

    Devido à essa idéia de emigrar, juntei uma quantia razoável de dinheiro para me manter por algum tempo, e tocar um projeto pessoal meu. Minha vontade é muito grande em focar neste projeto, mas ai caio justamente neste problema. Aplicar pro processo desempregado, e ainda estar utilizando os recursos que seriam utilizados somente quando eu chegasse no Canadá.

    É difícil… Também não sei o que fazer… 😦

    Se decidir-se por uma forma, me ajuda com uma sugestão também! rs..

    Por falar nisto, conte sua viagem!!

    Abraços!

  2. Vou contar da minha viagem sim, só estou esperando a poeira baixar.

    Quanto a minha situação acho que ja tenho uma resposta. Bem, vou começar a me preparar pra mudar de cidade e pra isso preciso me organizar pra uma série de coisas. Se o pessoal da imigração fizer cara feia na entrevista porque eu sai do emprego pra mudar de cidade então eles estarão sendo hipócritas pois eles estão pedindo que eu deixe pra trás uma vida estruturada pra começar do zero em outro país.

    A experiência de ja ter feito isso no meu país não deveria ser algo tão negativo.

    Sabe Filipe, esse processo ta a cada dia mais demorado, e o Canadá já rege a minha vida a muito tempo. O tempo que eu estou estagnada esperando por eles começou a incomodar mais que tudo, e acabou juntando com essa sacanagem do meu trabalho atual.

    Eu sei que iniciar um projeto novo sempre é complicado, sei que ainda vou chorar pensando no que estou fazendo da minha vida, mas sério, na nossa idade o tempo voa. E pra falar a verdade não sabemos bem se vamos mesmo pro Canadá, sabemos apenas que isso é o que mais queremos neste momento. Mas e se o Canadá tiver uma crise financeira antes de irmos? Será que ele ainda vai ser o nosso sonho de consumo?

    Abraços.

    • Oi, Viviane!

      Gostei imensamente da sua colocação, talvez porque eu também esteja em uma situação de “sacanagem no trabalho”, talvez porque eu também esteja um pouco revoltada com essa palhaçada que se tornou o tempo de espera do processo de imigração para o Canadá.

      Eu estou passando por momentos barra-pesada lá no lugar onde trabalho e o que eu mais queria era sair de lá, tentar outras coisas na minha vida, mesmo que tivesse que ganhar menos. Mas aí vem as dúvidas cruéis: sair para ganhar menos? Sair para ficar desempregada? E a poupança pro Canadá, como fica? Se for para mudar de emprego, mudar de cidade logo porque aqui em Brasília apenas o serviço público paga bem na minha área… E por aí vai. Fico divagando, divagando e não chego a conclusão nenhuma. Só continuo sofrendo no trabalho e mais revoltada com o Consulado do Canadá por aumentar indefinidamente esse tempo de espera e brincar com os sonhos alheios…

      O que eu tenho para te dizer é: vá! Se você tem meios de se manter, se você vai ser feliz e mais plena em outro emprego, em outra cidade, vá! Não tem porque você se prender aqui, ficar sofrendo por causa do medo que a entrevista com o BIQ pode provocar. Creio eu que eles não vão te julgar menos apta por ter saído do emprego por vontade própria para investir em outras coisas. E outra: você não deve pautar TODA a sua vida APENAS por esse processo de imigração que vai sair sabe lá deus quando. É bom sim mantermos um equilíbrio entre o presente e os planos para o futuro, mas abdicar de tudo por um futuro – que como você mesma disse – pode ser duvidoso apesar de querermos muito, não é saudável.

      Espero eu também poder fazer uma escolha ainda este ano!
      Beijos e boa sorte,
      Lídia.

      • Eu tinha esquecido o quanto é bom escrever no blog, pois acabo vendo que as minhas pendências não são só minhas, rs!
        Esse negócio de ficar sofrendo no trabalho é horrível mesmo. Por um lado fica-se pensando na responsabilidade, e no comprometimento dos planos futuros, mas por outro acabamos deixando de aproveitar certas oportunidades. Sabe, eu não tenho filho, e os meus gastos reais são pequenos, então as vezes fico pensando porque ja estou a três anos em um lugar que eu não gosto? Ele nem me paga tão bem assim. Eu fiquei aguentando por causa de um prol maior, mas nessa eu ja tive não só problemas emocionais, como também físicos por causa do stress. Eu engordei pra cacete, pois o meu dia sempre era meio ruim, mas pelo menos eu ia comer algo gostoso. Eu tive uma inflamação na base da coluna, e a simples atividade de sentar e levantar era super penosa, e o ortopedista não achou nada de errado em mim, então culpou o stress e o sobrepeso. E o dia que eu cai do cavalo e machuquei o joelho foi um dia que eu sai do trampo chorando e resolvi montar pra relaxar um pouco.
        Claro que outras coisas influenciam, mas pra mim, passar 3 anos da minha vida, 8 horas por dia útil, em lugar que me deixava insatisfeita foi um veneno. Ja me decidi, ontem mesmo, por guardar minha energia e paciência para quando a situação realmente exigir isso, e não simplesmente porque me ensinaram ser responsável não importa qual seja a situação.
        Outra coisa que me ajudou foi pensar em qual seria uma reserva mínima pra ir pro Canadá. Quando eu vi que eu ja tinha o mínimo pra sobreviver por um tempinho eu fiquei mais descansada. Quando o visto sair ainda temos 1 ano pra ir, ou seja, se a reserva estiver baixa, ainda temos 1 ano pra fazer ela crescer.
        E eu não me imagino passando todo esse tempo que ainda falta de processo desempregada, sem renda alguma, então acabei relaxando mais, e resolvi mudar agora, quando eu sei que ainda falta tempo pra eles resolverem me dar o aval de ir de vez.
        Abraços Lídia, espero que dê tudo certo contigo tb.

  3. Ana diz:

    Olá,

    É muito pertinente essa sua dúvida, nos vemos “paralisados” na nossa estrutura de vida atual enquanto esperamos notícias desse processo…. Mas como você mesma disse, seria hipócrita da parte deles questionar uma mudança na sua vida enquanto você ainda está aqui, você não pode ficar estagnada, ainda mais que seu trabalho está aparentemente te prejudicando de várias maneiras (profissional, judicial e porque não também, emocionalmente). Acho muito válida essa tentativa de mudança, as pessoas que se sentem “incomodadas” são as que mais crescem, se você pode mudar, faça! Mais tarde você pode olhar pra trás, caso essa coisa toda de Canadá se reverta (bate na madeira!!!!!) e se arrepender de ter ficado sofrendo no seu trabalho atual.

    Também estou querendo mudar de emprego, o meu atual me incomoda muito, e estou estudando o mercado quebecois pra ver se consigo atuar em alguma área que esteja em alta por lá dentro da minha profissão. Assim, adquiro um pouco de experiência extra antes de ir. Já pesquisaste algo nesse sentido? De repente vale a pena até ganhar um pouco menos aqui, a fim de entrar melhor no mercado de lá….

    Boa Sorte.
    Abraços,
    Ana.

  4. Oi Ana,
    o que eu também mais quero é que o Canadá dê certo então parte do que estou fazendo esta sim ligada ao meu plano de mudança. Então, eu só tenho experiência com o governo, que tem muitos bancos de dados mas não sabe muito bem o que fazer com eles. E eu ja trabalho com o governo a 6 anos. Quando eu fui procurar emprego pra estatística em Québec encontrei basicamente dois tipos, os empregos governamentais, que vira e meche aparece 1 vaga, e os vinculados a empresas privadas, com oferta bem maior. Os empregos das áreas privadas ou eram vinculados a banco de dados, e aí eles pediam pessoas com experiência em softwares como SQL, e não softwares estatísticos, ou eles estavam mais vinculados a área financeira. Claro que existem os trabalhos acadêmicos, mas estes eu não encontro no emploiquebec. Isso ja tinha me deixado com a pulga atras da orelha, pois no Canadá eles dão muito valor à especialização da pessoa, eles não querem um faz tudo ( que é o que eu sou atualmente). Eu cheguei a me inscrever pra um curso de gerenciamento de banco de dados pra me qualificar melhor pro mercado de trabalho quebecoise, mas a data bateu com a minha viagem e eu to “esperando a próxima turma”.
    Quando eu fui procurar trabalho aqui no Brasil, pra sair do ramo que estou, eu também encontrei a mesma dificuldade. Além do preconceito que as empresas privadas tem com quem só trabalhou pro governo, eu também não tenho experiência com analise financeira e nem com atuarial, e por mais que eu enviasse o currículo dizendo que tinha vontade de aprender ninguém até hj me respondeu. Acabou sobrando pra mim algumas vagas de gerenciamento de tabelas de excel de empresas pequenas que pagam no máximo 2.000,00, e em São Paulo ainda. Então ficou bem claro que estou precisando me especializar para o que o mercado realmente precisa, e empresa privada só quer saber de redução de custos e de previões mais exatas. E conseguindo experiência nisso aqui no Brasil eu sei que mais portas vão se abrir pra mim também no Canadá. A idéia, é cair um pouco com o nível financeiro atual pra poder crescer muito mais no futuro.
    Um abraço!
    Vivi
    ps: ontem vi uma vaga pra estatístico atuarial pleno em Brasília, salário de 9.000 a 10.000 reais. E eu esquentando a minha bunda e a minha cabeça nesse empreguinho de merda. Foi a gota d’agua pra mim, pedi demissão ontem mesmo.

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