Tabus – Discutir ou não?

Ja tem muito tempo que eu não escrevo no blog. Desde o casório muita coisa aconteceu, e eu não conseguia reunir as idéias para escrever um post. Mas agora que a vida esta prestes a entrar em uma rotina o blog voltou a rondar meus pensamentos. Manter ativo ou não?

Não vou formular um enquete sobre o assunto mas vou dividir minha dúvida com vocês, quem sabe mais pessoas sentem a mesma coisa, quem sabe eu organizo melhor meus pensamentos.

Este blog é minha válvula de escape, é onde eu escrevo sobre esse projeto maluco de imigrar. Ja ri e ja chorei escrevendo posts. E encontrei pessoas que se indentificaram com a minha situação e se aproximaram de mim apesar de sermos pessoas bem diferentes. O elo de ligação é, e sempre será, o projeto maluco de imigrar.

Antes de vir eu estava meio isolada do grupo social ao qual eu pertencia. Eu não estava comprando um apartamento, eu não estava planejando filhos, eu não estudava pra concurso, eu não montava a minha própria empresa. Eu ficava na minha vidinha de sempre porque infelizmente o projeto que eu estava engajada mais dependia dos outros do que de mim mesma. E é horrível isso, é a primeira dura realidade vivida por um imigrante daqui. Ficamos muito tempo, anos esperando a nossa vida começar aqui, e a longa espera é muito desgastante, afinal somos jovens, estamos com a corda toda! Então o blog abriu a comunicação com pessoas que viviam uma realidade parecida e me apoiavam.

Agora que eu cheguei eu poderia ficar escrevendo como tudo aqui é lindo, como eu estou feliz de estar aqui, mas eu não sinto muita vontade de falar disso. Eu sinto vontade de falar o que não é dito, o que não é bem explicado e mais uma vez expor minhas inquietações. Porque isso? Por que eu acho que falar sobre as dificuldades é bem mais informativo e interessante do que ficar escrevendo sobre o meu humor variável. 

Se a minha familia e amigos acompanhassem o blog a motivação era outra. Mas quem poderia ler esse meu blog? Meus amigos da internet que ficaram e que estão se organizando para chegar ou pessoas que também querem vir e gostariam de saber mais sobre o mercado de trabalho na minha áerea.

Daí que vem o tabu. Levando e consideração todo o processo degastante que eu passei pra chegar aqui, sabendo que eu estou aqui porque eu quero estar aqui. Sabendo que estou numa cultura diferente e que eu não tenho realmente certeza do que é ou não bem tolerado aqui. Será que eu vou expor com toda a sinceridade cada parte da pílula que não é dourada pra mim?

Por um lado existe a liberdade de expressão, porque ter medo de falar? Em que século vivemos? Mas ao mesmo tempo não é de costume sair por aí apontando a verruga no nariz dos outros. Apenas dizemos coisas gerais como: ninguém é perfeito, nem todo mundo é tão bem organizado assim, no começo é dificil mesmo. Afinal, muitas vezes a verruga nem é assim tão grande pra uns quanto é pra outros. Não é só pq eu penso algo que eu vou ficar dizendo por aí.

Eis alguns assuntos de posts que eu teria muito para escrever por agora:

Gasto inicial de um imigrante – Ta certo, todo mundo tem gasto com internet, celular, aluguel, etc, gastos mensais. Mas eu não vejo muito as pessoas falando abertamente do quanto gastaram nos primeiros meses aqui. Cara, é muita grana! Ja vi gente que chegou com 15 mil dolares e no terceiro mês ja estava aplicando para ajuda social de útlimo recurso. E aí passam a viver mensalmente com um salário mínimo. E eu acho que tem muita gente que pensa que 15 mil dolares é muito, são 30 mil reais. E agora que eu to aqui eu penso, putz, não é muito! Porque não? Voilá, um post!

No Quebec se fala francês – Eu concordo! Em Chibougamau só se fala francês. Em Montréal o bilinguismo é obrigatório até pra limpar mesa de restaurante. Claro, que se vc quiser passear e falar com alguem na rua você pode escolher qual lingua utilisar. Mas se vc quer trabalhar a história é outra. Eu conheci um quebecois de uma cidade pequena que mudou pra Montréal e não achava trabalho porque ele não era bom em inglês e não tinha experiência de trabalho em Montreál. Ele me disse rindo que se sentia como um imigrante, e que achava que merecia pelo menos algum privilégio por ter nascido aqui. Bem, agora que ele ja morou em outra provincia do Canada, e ja tem trabalho fixo na áera dele, ele esta rindo. Mas pra um recém-chegado isso não é nada engraçado. Voilá, mais um post. 

E tem muita coisa: peripérsias da francisação, novelas provenientes do problema de comunicação entre vc e entre os organismos de apoio ao imigrante. Enfim, mas a gente ja sabia disso antes de vir, certo?

Sera que quem ler vai entender que eu estou falando de verrugas em rostos bonitos? Porque quando eu leio por aí alguém alertando ou dividindo alguma coisa eu leio junto um monte de frases tipo: é a minha visão, nem tudo o que eu falo aqui é 100% verdade, vá se informar melhor. Afinal, pega mal, não é mesmo? Eu posso escrever uma piada e alguém ler um profundo ensinamento. Uma vez escrito, qual é o impacto? Era seu intuito formar opiniões? Então melhor escrever junto um monte de avisos óbvios de que não nos achamos os donos da verdade. E que nem tudo escrito é preto no branco.

Oky, chega por hoje.

De qualquer forma, eu amo aqui, e é aqui que eu quero ficar. Não importa se a pilula não é dourada, não importa se existem problemas de comunicação e se em alguns momentos a realidade é mais dura do que o esperado. Importa é que eu to aqui agora.

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Sobre frozenburguers

Estatística e Geólogo procurando seu cantinho em Quebec!
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3 respostas a Tabus – Discutir ou não?

  1. Eu fiquei super curiosa e espero que decida discutir tais assuntos.

  2. Oi, Vivi! Tudo bem? Que bom que vocês já estão aí, nem sabia que já tinham ido!

    Bem, eu sou a favor da liberdade de expressão. O blog é seu, você escreve o que quiser e quem não gostar que vá ali naquele xizinho vermelho e caia fora.

    Massss… Essa é uma decisão que só você pode tomar. Expor ou não expor situações é algo que só o momento pode dizer… Uma coisa que você pode fazer é ir abrindo aos poucos, um post aqui, outro ali para ver as reações das pessoas. Conforme você for medindo o impacto desse tipo de post você escreve mais ou aborta o projeto! Hehehe!

    Confesso que as generalizações nos blogs me irritam. “Nem tudo são flores”, “o começo é difícil”, “gasta-se muito dinheiro” são gerais demais, genéricos demais e não me permitem julgar o quanto faltam flores o quanto é difícil e o quanto de dinheiro se gasta! Se as pessoas escrevessem sinceramente, com exemplos CONCRETOS seria de muito mais ajuda do que ficar fazendo essas generalizações bestas estilo indireta. Assim eu poderia medir os riscos, dizer pra mim mesma: “é isso aí que fulano tá passando eu não aguento” ou então “ah, isso é difícil para essa pessoa, mas é mamão com açúcar pra mim”, etc.

    Mas eu acho que é uma questão cultural nossa, dos brasileiros, não gostarem de polemizar. Na nossa cultura, reclamar, criticar, etc é mal-visto… É capaz de se você começar a escrever sobre a realidade alguém virar pra você e falar pra voltar pro Brasil, já que aí é tão ruim. Como se não pudéssemos gostar de uma coisa e criticar essa coisa ao mesmo tempo! 😉

    Enfim, eu vou torcer para que você taque a real na nossa cara! Vou amar!
    Beijos,
    Lidia.

  3. É necessário contar os problemas reais sim… quase todos querem chegar e “esfregar” a perfeição do Canadá na cara dos brasileiros que estão no Brasil. As tais missões de recrutamento esconderam tantas coisas, e, quem chega por elas tem vergonha de contar.

    A vida do imigrante no Canadá é muito dura, certamente compensa para uma minoria… não acho uma cultura boa para o brasileiro não. O tal apoio do governo é ínfimo diante das necessidades dos imigrantes. Fui muito enganado no Canadá, fui explorado, sofri preconceito, a empresa teve falta de ética comigo (e com outros brasileiros que não têm coragem de falar a verdade). Gastei muito dinheiro, fui com boas reservas financeiras, trabalhei aí e voltei com uma reserva bem inferior, o dinheiro foi todo em contas de internet, comida, mecânico, aluguel, remédios etc…

    É preciso discutir sim… sempre lemos blogs que dizem que é tudo ótimo, tudo muito bom, é difícil mas compensa, no começo é duro mas o Canadá é superior em muita coisa, etc…

    As pessoas fazem blogs, publicam maravilhas do país, chegam e publicam mais um pouco, depois de um tempo simplesmente param de publicar e não temos mais notícias dos blogs… ficamos esperando atualizações que nunca chegam. Muitos desses blogueiros param porque não gostaram e vieram embora mas não querem ter que limpar o dourado da pílula que passaram anos pintando e polindo. Sentem vergonha de admitir que passaram 4 anos sonhando e planejando e resolveram voltar. É necessário passar isso adiante porque poderia evitar o sofrimento de muitos que abandonam empregos e famílias por passar o tempo todo “ouvindo” de outros brasileiros que ir pro Canadá compensa tudo.

    Sabemos, por exemplo que muitos brasileiros foram pra Québec em 2012 pelas missões de recrutamento de TI… alguém sabe quantos voltaram para o Brasil? eu sei de 4 que já voltaram… e conheço outros 4 que estão planejando voltar entre 2013 e 2014…

    É preciso divulgar as coisas ruins sim… eu estou tentando e te incentivo a fazer o mesmo…

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